| Governo quer participação da sociedade na discussão da defesa nacional |
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Começou no dia 25 de março, no Rio de Janeiro, o primeiro ciclo de seminários sobre “Segurança Internacional: Perspectivas Brasileiras”, promovido pelo Ministério da Defesa, em parceria com diversas instituições públicas e privadas. O resultado das discussões, que devem ser realizadas durante todo o ano, será reunido em um livro, que servirá de apoio para a estratégia de Defesa Nacional do Brasil. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, participou da abertura do seminário e disse que o objetivo do evento é levar a questão da defesa nacional à sociedade e ao meio acadêmico. “Nosso objetivo é trazer para a agenda nacional este tema, que já entrou nas agendas do governo e do Congresso, mas que é pouco refletido no meio acadêmico. É uma vitória para o governo e para o Ministério da Defesa, decorrente da estratégia nacional de integrar a defesa ao desenvolvimento nacional.” Jobim também declarou que o Brasil não pode e não deve abrir mão de possuir Forças Armadas capazes de exercer um poder de dissuasão necessário à defesa da soberania e do avanço dos interesses nacionais no plano estratégico global. “Não podemos abrir mão de garantir nossa defesa tanto no que tange às nossas vulnerabilidades estratégicas, à dimensão do patrimônio nacional e à infraestrutura energética”, disse. O agravamento da crise energética também foi discutido no evento. Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos, que compareceu à abertura do ciclo de seminários, ressaltou a importância de se investir em tecnologia de enriquecimento de urânio para a produção de energia nuclear. “O Brasil possui a quinta maior reserva de urânio do mundo. E a energia nuclear será um dos grandes vetores para solucionar a crise de energia mundial a longo prazo. Por enquanto, só temos conhecimento de 30% do território e as chances de haver reservas muito maiores são grandes. Essa e outras reservas naturais tornam o Brasil relativamente menos vulnerável que outros países, como Japão e França, altamente dependentes da importação de insumos para sua atividade industrial”, disse Guimarães, que defendeu também altos investimentos em pesquisa científica e tecnológica. “Os Estados Unidos investem por ano em pesquisa cerca de 3% de seu PIB (Produto Interno Bruto), aproximadamente U$ 450 bilhões, enquanto no Brasil investimos cerca de 1% do PIB ou ao redor de U$ 15 bilhões. Essa situação tem um impacto enorme sobre a competitividade das empresas nos campos civil e militar”, comentou o ministro de Assuntos Estratégicos. Jobim criticou a postura dos países centrais em manter políticas de defesa de sufocamento, ao impedir outros países de avançar tecnologicamente, como ocorre no caso do uso de enriquecimento de urânio para fins pacíficos. “A Marinha do Brasil conhece muito bem as dificuldades que enfrentamos para desenvolver e dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio para fins pacíficos e produção de energia elétrica”, encerrou Nelson Jobim.
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